quarta-feira, 29 de maio de 2024

V

Uma coisa de que gosto no envelhecer é a oportunidade do reencontro com alguém que não vemos há muito tempo, como se a vida abrisse a porta e nos convidasse a revisitar um passado tão longínquo que parece ter acontecido noutra vida. 

Por vezes, pode ser uma experiência dolorosa, e uma hipótese de catarse se tivermos maturidade para isso, mas outras vezes é um brinde, um abraço carinhoso que nos conforta e vem validar aquilo que vivemos no passado com essa pessoa. E é desta última que quero falar.

Quero falar das almas companheiras. Aquelas que, por mais voltas que a vida dê, por mais que as circunstâncias nos separem durante anos, quando nos reencontramos temos a confirmação de que há pessoas que existem para nos fazer acreditar que há ligações energéticas que transcendem este mundo.

Basta-me fechar os olhos para viajar até ao dia em que fixámos o olhar um no outro pela primeira vez e nunca mais fomos capazes de desviar. A atracção era tão forte quanto a de dois ímanes opostos. Demorou anos até que a oportunidade de nos aventurarmos em conjunto surgisse, mas aconteceu a um ritmo tão natural que o timing não poderia ter sido melhor. Descobrimos que combinamos como o pão e manteiga combinam - como diz ele. Mas é uma coisa energética e não de interesses. Não estou a falar de um amor romântico.

Não estou a falar de um amor romântico mas, olhando agora para trás, acho, sim, que estou a falar de um tipo de amor, de um amor à nossa medida - livre, honesto, carregado de carinho e respeito. Essencialmente, livre. Um tipo de amor idílico, pacífico, daqueles que nos faz querer tanto que essa pessoa seja feliz que se tivermos de seguir caminhos diferentes, seguimos. E seguimos.

A amizade prevaleceu sempre, os encontros inesperados eram felizes mas o tempo separou-nos.

Perdi-lhe o rasto, chorei, senti-me sozinha nas memórias e entreguei essa dor.

Agora, mais de quinze anos depois da última vez que nos vimos, quis o universo que nos reencontrássemos. O tempo passou por nós mas não passou pelo sentimento que nos uniu. 

É um brinde do universo porque, num momento tão frágil da minha vida, receber a validação daquilo que eu desconfiava é o abraço de que eu precisava. 

As almas companheiras são as bênçãos da vida. Aquelas que em todos os momentos em que estão connosco estão lá para nos fazer acreditar que há coisas maiores do que este mundo.

Por isso, um brinde às nossas almas companheiras. 🥂 

quarta-feira, 22 de maio de 2024

IV

As civilizações acabam e os próximos a desaparecer são os europeus.

Aqui em Portugal estamos a ser escorraçados das nossas terras por culpa de estratégias liberais, de mercados não regulados e em breve deixaremos, também, de poder ir livremente às nossas praias. As praias serão dos milionários estrangeiros que tomarão conta da nossa costa.

Com a escalada da imigração sem medidas que protejam os locais, a miséria é o futuro dos nativos que, sem condições de sustentar famílias, vão ser engolidos por esta onda e eventualmente desaparecer. 

Não há dúvida de que precisamos dos imigrantes para sustentar a nossa economia mas precisamos daqueles que contribuem efectivamente e não dos que vêm somente desestabilizar os mercados tirando condições e qualidade de vida a quem cá está. 

Os espiritualistas - e não só - vão dizer que é karma. Até poderá ser e merecido.

Em muito pouco tempo deixámos de conseguir comprar ou arrendar casas, voltámos a ter de contar trocos ao fim do mês e a depender de (falsas) promoções dos supermercados. 

Como é que se sobrevive a isto? Se calhar não se sobrevive. 

A ignorância está a ganhar terreno.

O protesto pende para ideais que nos vão arruinar ainda mais por falta de vozes mais fortes de quem defende a vida digna.

A única forma positiva que tenho de olhar para isto é: maus tempos formam bons carácteres. Vamos passar por tempos muito difíceis e sentir que vivemos um retrocesso mas daqui daremos um salto evolutivo maior, mesmo que já só chegue a gerações futuras. É um sacrifício que teremos de fazer porque a médio prazo as coisas vão piorar. 

Mas serão estes ignorantes, vítimas da Era da desinformação, os grandes impulsionadores desse salto evolutivo - por necessidade.

Às vezes, os nossos piores inimigos são os nossos melhores professores.

A ginástica que consigo fazer para não deprimir é pensar mais além e no futuro da Humanidade, ou do que sobrar dela, em termos de séculos.

Que seja para um salto evolutivo um dia, então.

Quanto a nós, não temos outro remédio que o de viver o dia-a-dia da forma mais feliz que conseguirmos. E, na minha opinião, é preciso desligar a televisão e as redes e estar com quem nos é querido.

VII

Quando é que começou esta guerra entre gerações? Por que é que até há uns poucos anos não era discutido e agora parece um tema sem fim à vis...